ENCICLOPÆDIA

BIOGRÁFICA DE

ARQUITETAS e ARQUITETOS

DIGITAL 

"EBAD" - DESDE 2015 - by Silvio Durante
GIAN LORENZO BERNINI
♦ Nápoles, 7 de dezembro de 1598 
† Roma, 28 de novembro de 1680

PERFIL BIOGRÁFICO:

 

Gian Lorenzo Bernini é considerado o maior escultor do século XVII e também um extraordinário arquitecto.

 

Começou a sua vida artística aprendnedo com o pai, Pietro Bernini, um escultor de talento de Florença, adepto do maneirismo, que foi trabalhar para Roma. O trabalho do jovem foi notado pelo pintor Annibale Carracci, começando desde logo a trabalhar para o papa Paulo V, o que lhe facilitou a sua independência.

 

Influenciado pela escultura Grega e Romana em mármore, que conheceu nas colecções do Vaticano, também conhecia bem a pintura renascentista de princípios do séc. XVI. Nesse período presta serviços ao cardeal Barberini, o futuro papa Urbano VIII, que se tornou o patrono mais importante de Bernini.

 

Mas o seu primeiro patrono foi o cardeal Borghese. Foi para ele que Bernini esculpiu os seus primeiros grupos escultóricos como o Eneias, Anquises e Ascânio fugindo de Tróia, de 1619, Plutão e Proserpina, de 1622 e o David, de 1624. Com estas obras, realizadas em tamanho real, conjugadas com os bustos executados também neste primeiro período da sua actividade, Bernini criou um novo período na história da escultura da Europa ocidental.

 

Com a eleição de Urbano VIII, Bernini passou a trabalhar muito intensamente, passando também a trabalhar em pintura e a fazer arquitectura a pedido do papa. O seu primeiro trabalho arquitectónico foi a remodelação da Igreja de Santa Bibiana em Roma. Ao mesmo tempo, Bernini foi encarregado  de construir uma estrutura simbólica sobre o túmulo de São Pedro na Basílica de S. Pedro em Roma.

 

O resultado foi o enorme e famosíssimo Baldaquino dourado construído entre 1624 e 1633. O baldaquim,  uma fusão completamente original e sem precedentes entre escultura e arquitectura, é considerado o primeiro monumento verdadeiramente barroco, tendo-se tornado o centro da decoração projectada por Bernini para o interior da Basílica de S. Pedro.

 

O seu trabalho seguinte foi a decoração dos quatro pilares que sustentam a cúpula da basílica, com quatro estátuas colossais, sendo que só uma delas foi desenhada por ele. Ao mesmo tempo realizou vários bustos, alguns de Urbano VIII, sendo o melhor da série o do seu primeiro patrono, o do cardeal Borgheses, de 1632. 

 

As obrigações arquitectónicas de Bernini aumentaram quando Carlo Maderno morreu em 1629, tendo o escultor passado a acumular não só as funções de arquitecto de São Pedro como as do Palácio Barberini. As obrigações eram tantas que teve recorrer a assistência de outros artistas, tendo sido bastante bem sucedido na organização do seu estúdio, tendo conseguido manter a consistência do seu trabalho, tanto na escultura como nas ornamentações. O seu trabalho estava de acordo com as conclusões do Concílio de Trento, realizado entre 1545 e 1563, que tinham afirmado que a função da arte religiosa era ensinar e inspirar os fiéis, assim como servir de propaganda da doutrina da Igreja Católica Romana, defendendo que a arte religiosa devia ser inteligível e realista, e acima de tudo servir como estimulo emocional à religiosidade. Bernini tentou sempre conformar a sua arte a estes princípios.

 

Assim o artista começou a produzir vários tipos inovadores de monumentos - não só túmulos como também fontes. O túmulo de Urbano VIII, realizado de 1628 a 1647, é um dos melhores exemplos desta nova arte funerária, assim como a fonte de Tritão, na Praça Barberini (1642-1643), o é para estas obras. Mas o trabalho de Bernini nem sempre foi bem sucedido, e quando em 1646 as torres sineiras, que tinha erguido na fachada de S. Pedro criaram fissuras no edifício, tendo que ser retiradas, o artista caiu temporariamente em desgraça.

As obras mais espectaculares de Bernini foram realizadas entre os anos 40 e os anos 60 do século XVII. É a Fonte dos Quatro Rios na Piazza Navona de Roma, realizada entre 1648 e 1651; o Êxtase de Santa Teresa (1645-1652), que mais do que uma escultura é uma cena realizada por meio da escultura, da pintura e da iluminação.

 

A preocupação de Bernini em controlar o ambiente em que as suas estátuas se encontravam, levou-o a concentrar-se cada vez mais na arquitectura. A sua igreja mais impressionante é a de Santo André no Quirinal, edificada entre 1658-1670, em Roma. Mas a sua realização mais impressionante em arquitectura é a Colonata que rodeia a Praça de S. Pedro.

 

Em 1657 começou o Trono de São Pedro, ou Cathedra Petri, uma cobertura em bronze dourado do trono em madeira do papa, que foi terminada em 1666, ao mesmo tempo que realizava a colonata. Continuando os seus retratos em bustos de mármore, esculpiu em 1650 um de Francisco I d'Este, duque de Modena.  

 

Em 1665 viajou para Paris, aceitando finalmente um dos muitos convites de Luís XIV. Tendo ofendido os seus hóspedes, ao elogiar a arquitectura italiana em comparação com a francesa, os seus planos de remodelação do Louvre acabaram por não ser aceites, tendo realizado unicamente um busto de Luís XIV.

 

As últimas esculturas de Bernini, as realizadas para a Capela Chigi na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma, e os Anjos que deveriam estar na ponte de Sant'Angelo, continuaram a tendência das figuras que decoram o Trono de S. Pedro: corpos alongados, gestos expressivos, expressões mais simples mas mais emocionadas.

 

O último grande trabalho de Bernini foi a simples Capela Altieri na Igreja de São Francisco a Ripa, de 1674, em que a arquitectura, a escultura e a pintura têm cada uma objectivos separados e bem claros, numa solução mais tradicional do que a da Capela Cornaro.

 

Bernini morreu aos 81 anos, tendo servido oito papas, e sendo considerado pelos seus contemporâneos, não só o maior artista europeu, como uma dos suas mais importantes personalidades. Foi o último dos génios de valor universal nascidos em Itália, e ajudou a criar o último estilo italiano a tornar-se uma norma internacional.

 

A sua morte marca o fim da hegemonia italiana na arte da Europa.

Gian Lorenzo Bernini
(Auto-retrato)

OBRAS SELECIONADAS:

 

> (1) Castelo de Santo Ângelo, Roma

 

> (2) Igreja de Santo André

 

> (3) Palácio Montecitório

 

> (4) Palácio Chigi Odescalch

 

> (5) Escultura "Apolo e Dafne"

 

> (6) Escultura "São Longuinho"

 

> (7) Elefante e obelisco na PRaça de Minerva

 

> (8) Baldaquino da Basílica de são Pedro

 

> (1) Castelo de Santo Ângelo, Roma
> (1) Castelo de Santo Ângelo, Roma

> (1) Castelo de Santo Ângelo, Roma

press to zoom
> (2) Igreja de Santo André
> (2) Igreja de Santo André

> (2) Igreja de Santo André.

press to zoom
Palácio Montecitório
Palácio Montecitório
press to zoom
Palácio Chigi Odescalch
Palácio Chigi Odescalch
press to zoom
Apolo e Dafne
Apolo e Dafne
press to zoom
> (6) Escultura "São Longuinho"
> (6) Escultura "São Longuinho"
press to zoom
Elefante e obelisco
Elefante e obelisco

> (7) Elefante e Obelisco na Praça de Minerva

press to zoom
Baldaquino de São Pedro
Baldaquino de São Pedro

> (8) Baldaquino da Basílica de São Pedro

press to zoom

REFERENCIAS:

 

-Portal da Historia. Biografias. Bernini. Disponivel em http://www.arqnet.pt/portal/biografias/bernini.html. Acesso em 05 de julho de 2015

 

- VICTORINO, Paulo. Pitoresco - A Arte dos grandes mestres. Disponivel em http://www.pitoresco.com/escultura/bernini/bernini.htm. Acesso em 05 de julho de 2015.

Como citar este documento:

Enciclopædia Biográfica de Arquitetos Digital

Autor(es) do verbete:: DURANTE, Silvio
Título: Gian Lorenzo Bernini

Documento nº: B12
Disponível na Internet via: 
Última atualização: 05/07/2015

Início

Índice A-Z

Enciclopédia Biográfica de Arquitetas e Arquitetos Digital